Ah, Romina, por que foste embora? Por que me tiraste teu sorriso baixo, tímido, branco...? O que te fiz, Romina, o quê?
Olhaste-me com teus olhos negros e te puseste a chorar. Tu que sempre me sorrias. Magrinha, com um ar de intelectua discreta, sempre com os braços cruzados sobre a mesa de algum desses cafés de Corrientes; ou, quando em pé, como que te abraçando a ti mesma. Abraço insuficiente. Abraço pouco. Falta-te os meus braços em ti, Romina. Falta-me tu em mim!
Vejo-te, agora, sentada entre figuras cotidianas, enfastiadas, num banco de metrô. Teu queixo apoiado pela tua mão esquerda, e a tua cabeça querendo tombar ao ombro. E o olhar vazio, rente ao piso do vagão. Não vás, Romina! Desça na próxima estação e toma de volta o rumo a mim.
Tua lágrima desliza pela face. Estás corada. Teu nariz, vermelho. Quero-te luzente! Como desejo tocar-te a face, suave, sempre, deslizando minha mão, chegando aos teus cabelos num cafuné sem fim. Tudo em ti é contemplação. E agora fechas teus olhos em um delicado deleite. Como te expressas com perfeita mesura? Apenas tu. E sigo a acariciar-te.
Bateu-me a saudade, é isso. E quando ias à tua classe e eu te espiava pelo vidro da porta da sala em que lecionavas. Sequer reparavas em minha presença, nem imaginavas...
E eu sumia.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
sábado, 24 de abril de 2010
4 garrafas de cerveja
Aconteceu durante um desses copos tragados, numa dessas noites vadias, boêmias, de uma famosa cidade barroca. O frio resolveu pertubá-los naquela taberna da rua direita. Ea incoerência começou pela cerveja gelada...
Ele tinha tanta coisa para lhe dizer. Bebeu bastante e disse, ou, quem sabe, não.
Subiu um pouco a rua e a levou à banda, que estava à toa na rua, ou na vida, como dira aquele cantor.
No final de tudo, a cama quente os esperava. Esperava mais a ela; espera aquela aqeuele silêncio caucasiano que gritou no inocorrido, estampado numa caveira branca que só ela saberá.
Ele tinha tanta coisa para lhe dizer. Bebeu bastante e disse, ou, quem sabe, não.
Subiu um pouco a rua e a levou à banda, que estava à toa na rua, ou na vida, como dira aquele cantor.
No final de tudo, a cama quente os esperava. Esperava mais a ela; espera aquela aqeuele silêncio caucasiano que gritou no inocorrido, estampado numa caveira branca que só ela saberá.
quinta-feira, 18 de março de 2010
O vôo da Maritaca Devassa.
Nesta noite fria, resolvi voar rumo ao ninho das maritacas, as famosas maritacas devassas. Estavam lá debaixo das suas cobertas de penas, assistindo a uma dessas novelas bestas e comentando suas pequenas luxúrias cotidianas.
Cheguei calado e saí mudo, eu, pobre bem-te-vi do peito amarelado de fome. Deram-me pouco valor durante os poucos minutos em que esperei a maritaca devassa dissidente. Uma outra maritaca comentou seu sentimento repentino: "Aaaaaaaah! Um dia, ainda ei de encontrar um formoso papagaio que me mime num xamego sincero e que me ame muito." Depois, virou-se para as outras trepadeiras e enunciou uma cláusula: "Mas isso vai depender se eu o amarei de verdade também..." E, numa risada safada, voltou a ver a sua novela besta.
É uma peste esse lugar, esse ninho. Ademais, cheira a subaqueira de tucano e a bafo de papagaio bêbado. Bastante desagradável, eu diria. Diria mais: um porre!
Regressei às terras baixas junto àquela maritaca devassa dissidente, ou nem tão dissidente assim, já que o sangue nunca poderá negar essa qualidade. Bem que vi.
Cheguei calado e saí mudo, eu, pobre bem-te-vi do peito amarelado de fome. Deram-me pouco valor durante os poucos minutos em que esperei a maritaca devassa dissidente. Uma outra maritaca comentou seu sentimento repentino: "Aaaaaaaah! Um dia, ainda ei de encontrar um formoso papagaio que me mime num xamego sincero e que me ame muito." Depois, virou-se para as outras trepadeiras e enunciou uma cláusula: "Mas isso vai depender se eu o amarei de verdade também..." E, numa risada safada, voltou a ver a sua novela besta.
É uma peste esse lugar, esse ninho. Ademais, cheira a subaqueira de tucano e a bafo de papagaio bêbado. Bastante desagradável, eu diria. Diria mais: um porre!
Regressei às terras baixas junto àquela maritaca devassa dissidente, ou nem tão dissidente assim, já que o sangue nunca poderá negar essa qualidade. Bem que vi.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Umidade
Talvez seja isso, agora, a incerteza do ser.
Esquecer-me em mim
e de mim.
Já dizia Gramsci que, entre a morte do velho e o nascimento do novo,
há um singular momento chamado, por alguns, de "crise", em que...
Crise? Mas parece tão inédito tudo isso: sons novos, horizonte novo, montanhas e nuvens tão diversas e um saudosismo por insegurança.
Coisa de tarde chuvosa.
Chuva grossa e pesada que nos aprisiona num exílio seco e que nos inunda de e com qualquer coisa.
Esquecer-me em mim
e de mim.
Já dizia Gramsci que, entre a morte do velho e o nascimento do novo,
há um singular momento chamado, por alguns, de "crise", em que...
Crise? Mas parece tão inédito tudo isso: sons novos, horizonte novo, montanhas e nuvens tão diversas e um saudosismo por insegurança.
Coisa de tarde chuvosa.
Chuva grossa e pesada que nos aprisiona num exílio seco e que nos inunda de e com qualquer coisa.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Prezado "escritor"
A mesma noite, a mesma garrafa de vinho, frente à mesma tela de computador, a fazer a mesma coisa de sempre. Será que existe poesia nessa dita pós-modernidade apoética? O que se quer dizer com isto? Alguém já disse isto? Ele realmente não sabe. Nem ao menos intenta pensar sobre essas frases vomitadas.
Já pensou ser um grande escritor? Ele já. Tanto o fez que vive bebendo café ou vinho e se imagina em paisagens literárias, coitado. Agora, você, leitor, deve estar pensando "mas que narrador filho de uma puta!", certo? Eu também penso o mesmo. Mas tudo é verdade. Ora, um sujeitinho qualquer, que bebe uma garrafa de vinho caro - o chamado belo rebento da classe média sonhadora, se é que alguem diz isso também, além deste narrador filho-de-uma-pobre-mulher-ultrajada, segundo o mesmo - e que fica de conversas banais no mesenger e que pretende virar escritor... ah, doce ilusão! De tão doce lhe fez cair os dentes (terrível isso, nunca escreva uma merda desta). Tamanha pretensão! Maldito século de perspectivas frustradas.
O pseudo-escritor-sonhador, e agora bêbado, não sabe mais o que rabiscar. Devo cutucá-lo. Provocá-lo. E o que faz com esse livro do Hemingway fechado? quer sê-lo? Não pode, meu querido. Escreva suas estorinhas nesse seu blog, e nada mais.
Neste século (de novo essa repetição, essa tragédia do tempo), qualquer um pode ser escritor. Cria-se um blog e se escreve poesia, conto, besteira e merda ao bel-prazer. Mas há quem se dê bem, dizem, você me disse.
O vinho acabou, escritor? Apenas até aqui consegue escrever? Muda a música e vai na geladeira encher o copo novamente, assassine o vinho nesse copo americano mais uma vez! E agora pense numa tragédia. Refaça a Grécia, por menos que a conheça. Esse é um ponto trágico, escritor. Você sempre soube que os grandes leram bem os gregos. E você? Você nem conseguiu ler todos os trabalhos de Hércules por inteiro.
E a musa, tem? Não. Pobre... Chega de troças, não quero ver lágrimas vertidas. Mas nem ao menos uma morena para se exaltar... Vá ver um filme e se encante por uma dessas frncesas de cabelo curto, bem negro. Escreva uma homenagem a ela, meu caro. Aliás, invente-a, assim como o faz para si próprio.
Quem nos dera uma pequena francesa agora, hã? Você nem em uma morena daqui consegue pensar. É decadente. Lamentável..
Cansei de você, escritor. Cansei de dizê-lo.
Já pensou ser um grande escritor? Ele já. Tanto o fez que vive bebendo café ou vinho e se imagina em paisagens literárias, coitado. Agora, você, leitor, deve estar pensando "mas que narrador filho de uma puta!", certo? Eu também penso o mesmo. Mas tudo é verdade. Ora, um sujeitinho qualquer, que bebe uma garrafa de vinho caro - o chamado belo rebento da classe média sonhadora, se é que alguem diz isso também, além deste narrador filho-de-uma-pobre-mulher-ultrajada, segundo o mesmo - e que fica de conversas banais no mesenger e que pretende virar escritor... ah, doce ilusão! De tão doce lhe fez cair os dentes (terrível isso, nunca escreva uma merda desta). Tamanha pretensão! Maldito século de perspectivas frustradas.
O pseudo-escritor-sonhador, e agora bêbado, não sabe mais o que rabiscar. Devo cutucá-lo. Provocá-lo. E o que faz com esse livro do Hemingway fechado? quer sê-lo? Não pode, meu querido. Escreva suas estorinhas nesse seu blog, e nada mais.
Neste século (de novo essa repetição, essa tragédia do tempo), qualquer um pode ser escritor. Cria-se um blog e se escreve poesia, conto, besteira e merda ao bel-prazer. Mas há quem se dê bem, dizem, você me disse.
O vinho acabou, escritor? Apenas até aqui consegue escrever? Muda a música e vai na geladeira encher o copo novamente, assassine o vinho nesse copo americano mais uma vez! E agora pense numa tragédia. Refaça a Grécia, por menos que a conheça. Esse é um ponto trágico, escritor. Você sempre soube que os grandes leram bem os gregos. E você? Você nem conseguiu ler todos os trabalhos de Hércules por inteiro.
E a musa, tem? Não. Pobre... Chega de troças, não quero ver lágrimas vertidas. Mas nem ao menos uma morena para se exaltar... Vá ver um filme e se encante por uma dessas frncesas de cabelo curto, bem negro. Escreva uma homenagem a ela, meu caro. Aliás, invente-a, assim como o faz para si próprio.
Quem nos dera uma pequena francesa agora, hã? Você nem em uma morena daqui consegue pensar. É decadente. Lamentável..
Cansei de você, escritor. Cansei de dizê-lo.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Subte
Entrou no metrô e teve sorte de encontrar um espaço vago no banco vermelho. Mais que sorte, talvez um milagre. Nada mais desagradável que pegar o metrô às 18 horas - aliás, há coisa pior: fazê-lo todos os dias. Ao menos houve o milagre de hoje, terça-feira de calor infernal.
Ela sentou entre um senhor gordo e barbudo e uma velhinha de óculos redondos. Todos calados - e mais ainda ela. Estava cansada. Sentou-se, na verdade, com um olhar melancólico - ou indiferente, aqueles olhos não foram tão claros, ainda que bem verdes. E apoiava seu queixo na palma da mão com os dedos subindo à bochecha. Apenas seus olhos se moviam, o resto era estático. Aliás, seu corpo inflava ao respirar, mas era quase imperceptível, apenas um olhar insistente para percebê-lo.
De repente um sorriso. Fechou os olhos e passou a mão desde a testa até os cabelos, arrumando-os. Que boa lembrança teria sido aquela?
As possibilidades são infinitas.... Ela desceu em Angel Gallardo.
Ela sentou entre um senhor gordo e barbudo e uma velhinha de óculos redondos. Todos calados - e mais ainda ela. Estava cansada. Sentou-se, na verdade, com um olhar melancólico - ou indiferente, aqueles olhos não foram tão claros, ainda que bem verdes. E apoiava seu queixo na palma da mão com os dedos subindo à bochecha. Apenas seus olhos se moviam, o resto era estático. Aliás, seu corpo inflava ao respirar, mas era quase imperceptível, apenas um olhar insistente para percebê-lo.
De repente um sorriso. Fechou os olhos e passou a mão desde a testa até os cabelos, arrumando-os. Que boa lembrança teria sido aquela?
As possibilidades são infinitas.... Ela desceu em Angel Gallardo.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Diario porteño 05/10/10
Anoiteceu em minha solidão portenha. E essa noite só acontece às 20:30 por aqui. Melhor, então, pegar um táxi rumo a calle Lerma, 164, esquina com Levallaje.
O taxista segue pela avenida Córdoba, mas antes põe um cd azul no som do carro. Melhor trilha sonora impossível: Piazzola. Ele avança até a música que eu ansioso aguardava: Libertango. Senti-me como num filme. Os carros naquele trânsito caótico e o bandoneón de piazzola assoprndo um regresso melancólico. Faltou-me, apenas, que fosse esse um filme em preto e branco, un cigarrillo e uma solidão de fato, mas foi ótimo.
Amanhã continuo a exploração.
O taxista segue pela avenida Córdoba, mas antes põe um cd azul no som do carro. Melhor trilha sonora impossível: Piazzola. Ele avança até a música que eu ansioso aguardava: Libertango. Senti-me como num filme. Os carros naquele trânsito caótico e o bandoneón de piazzola assoprndo um regresso melancólico. Faltou-me, apenas, que fosse esse um filme em preto e branco, un cigarrillo e uma solidão de fato, mas foi ótimo.
Amanhã continuo a exploração.
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