quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Diario porteño 05/10/10

Anoiteceu em minha solidão portenha. E essa noite só acontece às 20:30 por aqui. Melhor, então, pegar um táxi rumo a calle Lerma, 164, esquina com Levallaje.
O taxista segue pela avenida Córdoba, mas antes põe um cd azul no som do carro. Melhor trilha sonora impossível: Piazzola. Ele avança até a música que eu ansioso aguardava: Libertango. Senti-me como num filme. Os carros naquele trânsito caótico e o bandoneón de piazzola assoprndo um regresso melancólico. Faltou-me, apenas, que fosse esse um filme em preto e branco, un cigarrillo e uma solidão de fato, mas foi ótimo.
Amanhã continuo a exploração.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Diario porteño

Ah! Buenos Aires, querido! No sé como digitar el exclame "de cabeça para baixo"... pero mi pasion por la ciudad és mayor que cualquier cosa digital. Hoy conoci la bombonera. Debe ser terrible para un equipo visitante jugar allá. Después fui al el caminito. Lindo. Tango. Parrilla. Locos mozos hablando en portuñol porteño y hablando de mi corinthians y de botafogo, de mi hermano y mi padre.
Ahora un vino, malbec de mendonza. $11 pesos! R$5,00! É mole?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

"Eu vou tirar você desse lugar..."

Cadê você, Odair? Tire-me dessa prostituição acadêmica!
Tô triste... e quero a minha mãe.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dona Geralda

Lá vinha Dona Geralda nos fins de tarde quente à porta de casa. Carapinha branca, oclinhos grossos e o sorriso bonachão. Pisa o chão com um cuidado gentil, de avó doce. Vem falando de Deus e da Mãe-morena - que eu não sabia que era a Aparecida. Convidou-me para entrar.
Mostrou-me o quarto com as inúmeras fotografias dos entes queridos: marido, filha, pai, sobrinho, neto, sobrinho-neto, santa, santo etc.
Foi buscar a água-benta, benzida, a propósito, pelo padre Zezé, famoso aqui, na Vila Rica - e que eu também não sabia.Sorri. A santa água era para a minha fajuta conjutivite, que era, em verdade, irritação qualquer, mas que um amigo bobo me assustou enfatisando a vermelhidão. Ela resolveu misturar a água do padre Zezé com a do outro padre que não me lembro o nome. Disse que ia ficar uma mistura forte.
Dona Geralda é feliz. Ama o amor e me disse que também a mim. Que sensação leve e bonita é a de receber um "ah, eu amo você. Você é um menino bom!" com toda a alegria espontânea do sangue, por mais que não seja lá muito bom ou coisa assim. E depois o abraço. Um abraço materno. Aliás, mais que materno: de avó, bem docinho.
Infelizmente rejeitei o café - a contragosto, sim. Disse-lhe que esperava a entrega de uns medicamentos, que já havia pedido. Ela fez uma carinha de frustração, mas daquelas de quem entende a situação, mesmo sem o querer.
Acompanhou-me até a sua porta. Aos setenta e sete anos, as pernas teimam em querer fazer força, enganam o costume das décadas de se pisar forte o chão e tudo o que tiver de ser pisado. A porta verde se abriu num clarão de tarde. Desci a ladeira, mas antes um "Deus lhe acompanhe" e uma promessa de bênção com arruda para o domingo.
Dona Geralda acompanhou com o olhar o rapaz de um olho fechado.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Desabafo vegetal

Um dia fiquei puto e fui me esconder dentro do tronco de uma árvore. Vi passarinho construir ninho e namorados riscarem seus nomes dentro de um coração. Houve quem desse uma mijada e acertasse meu pé. "Mas que merda!", gritei.
Fiquei lá durante meses. Tornei-me amigo dos cupins e inimigo de quem podava a pobre da árvore.
Aconteceu que um dia uma nêga teve a mesma ideia minha - que já não era bem minha, mas nossa, minha e dela. Foi bacana. Relacionamo-nos muito bem. Tivemos uma semente que nasceu frondosa, num canto perto dali. Nessa altura eu já estava bem ramificado e ela vinha trepada a mim. Pense! Sugando toda a minha energia.
Um dia, veio um sacana e me cortou dali. Hoje sou estofado e fico sufocado por uma bunda gorda cheia de gases.
Saudade de mata.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Martelando aquela coisa impossível

Aconteceu em um esbarrar de olhares pelo corredor do Departamento. De olhares mesmo - as pessoas evitam choques físicos, por mais sadios que eles venham a ser, claro.
Bom, olhá-la é inevitável - todos o fizeram, suponho. Não por ela ser bonita, nem pelo contrário. Uma ruiva verdadeira é sempre atingida por qualquer olhar, da malícia à admiração - inda mais nessa terra de misturas, onde a homogeneidade é exótica. Enfim, sempre a olho, não nego, por mais incômodo e exagerado que seja. Inevitável. Qual um magnetismo visual; chega a cansar. Eu cansei.
Noutra noite, fugindo de gente e de seus barulhos, sentei-me no outro bloco do Departamento. Pus-me a ler Kundera, empréstimo de uma grande amiga. Havia lido um livro de contos dele, "Risíveis amores". Ri (com ou sem trocadilho ridículo, tanto faz...). Foi então que avistei a garota ruiva. Ela bem sabe de minhas intenções(?). Um olhar insistentemente resoluto, ainda que sutil, creio, é bastante claro. Como não crer?
Ela se demorou, por um instante, ao me ver naquele lado do prédio. Éramos, apenas, eu e ela. Não sei se fixava os olhos, curiosos, na capa do livro que eu tinha em mãos, ou se, num susto, deparou-se estática ao ver aquele figurão inconveniente.
Seguiu ao banheiro. Voltei-me os olhos sobre o livro. Amanhã, evitarei demoras pelo corredor.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Hoje

Falta-me o vazio.