Um dia fiquei puto e fui me esconder dentro do tronco de uma árvore. Vi passarinho construir ninho e namorados riscarem seus nomes dentro de um coração. Houve quem desse uma mijada e acertasse meu pé. "Mas que merda!", gritei.
Fiquei lá durante meses. Tornei-me amigo dos cupins e inimigo de quem podava a pobre da árvore.
Aconteceu que um dia uma nêga teve a mesma ideia minha - que já não era bem minha, mas nossa, minha e dela. Foi bacana. Relacionamo-nos muito bem. Tivemos uma semente que nasceu frondosa, num canto perto dali. Nessa altura eu já estava bem ramificado e ela vinha trepada a mim. Pense! Sugando toda a minha energia.
Um dia, veio um sacana e me cortou dali. Hoje sou estofado e fico sufocado por uma bunda gorda cheia de gases.
Saudade de mata.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Martelando aquela coisa impossível
Aconteceu em um esbarrar de olhares pelo corredor do Departamento. De olhares mesmo - as pessoas evitam choques físicos, por mais sadios que eles venham a ser, claro.
Bom, olhá-la é inevitável - todos o fizeram, suponho. Não por ela ser bonita, nem pelo contrário. Uma ruiva verdadeira é sempre atingida por qualquer olhar, da malícia à admiração - inda mais nessa terra de misturas, onde a homogeneidade é exótica. Enfim, sempre a olho, não nego, por mais incômodo e exagerado que seja. Inevitável. Qual um magnetismo visual; chega a cansar. Eu cansei.
Noutra noite, fugindo de gente e de seus barulhos, sentei-me no outro bloco do Departamento. Pus-me a ler Kundera, empréstimo de uma grande amiga. Havia lido um livro de contos dele, "Risíveis amores". Ri (com ou sem trocadilho ridículo, tanto faz...). Foi então que avistei a garota ruiva. Ela bem sabe de minhas intenções(?). Um olhar insistentemente resoluto, ainda que sutil, creio, é bastante claro. Como não crer?
Ela se demorou, por um instante, ao me ver naquele lado do prédio. Éramos, apenas, eu e ela. Não sei se fixava os olhos, curiosos, na capa do livro que eu tinha em mãos, ou se, num susto, deparou-se estática ao ver aquele figurão inconveniente.
Seguiu ao banheiro. Voltei-me os olhos sobre o livro. Amanhã, evitarei demoras pelo corredor.
Bom, olhá-la é inevitável - todos o fizeram, suponho. Não por ela ser bonita, nem pelo contrário. Uma ruiva verdadeira é sempre atingida por qualquer olhar, da malícia à admiração - inda mais nessa terra de misturas, onde a homogeneidade é exótica. Enfim, sempre a olho, não nego, por mais incômodo e exagerado que seja. Inevitável. Qual um magnetismo visual; chega a cansar. Eu cansei.
Noutra noite, fugindo de gente e de seus barulhos, sentei-me no outro bloco do Departamento. Pus-me a ler Kundera, empréstimo de uma grande amiga. Havia lido um livro de contos dele, "Risíveis amores". Ri (com ou sem trocadilho ridículo, tanto faz...). Foi então que avistei a garota ruiva. Ela bem sabe de minhas intenções(?). Um olhar insistentemente resoluto, ainda que sutil, creio, é bastante claro. Como não crer?
Ela se demorou, por um instante, ao me ver naquele lado do prédio. Éramos, apenas, eu e ela. Não sei se fixava os olhos, curiosos, na capa do livro que eu tinha em mãos, ou se, num susto, deparou-se estática ao ver aquele figurão inconveniente.
Seguiu ao banheiro. Voltei-me os olhos sobre o livro. Amanhã, evitarei demoras pelo corredor.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Preto

É à noite que as rédeas são soltas. Concebe-se, então, todo o controle ao cavalo. E meu destino é entregue a esse quadrúpede.
Na verdade, nem em toda noite é assim: só em noite sem lua. Em noite que não é possível ver-me os pedaços que me compõem, nem minha montada e nem todo o resto, a exceção dos pontos do céu. E como são tantos! Lembro-me que já ousei contá-los: é um, é dois, foi vinte, quarenta e três e... Ave-Maria! pra que lado eu conto e vou?
Estrela não tem força de lua. Estrela é miudinha, não tem força pr'acender noite. Nem mesmo essa ruma de estrela junta há de alumiar essa minha estrada, imagine esse mundo de Deus!
É preto, esó preto! Mais parece que fechei os olhos e me pus a dormir sem sonhar. Como é que pode, né? Dormir e sonhar e dormir e não sonhar!? Melhor é nem pensar nessas imundices, pra mode não ficar abilolado e deitar adoentado.
Posso me perder em pensamento agora não, senão cavalo pensa que não estou aqui e segue a qualquer vereda perdida de não se achar. Mas esse bichão daqui sabe de casa; sabe o caminho de cor e gosta mesmo é de lá de casa. Confiança.
Medo... é complicado. Essa história de cidadão-lido falar de só ter medo daquilo que se vê é meio difícil de se proceder. Ah! Ora! Você vendo, já sabe de ond'é que vem o bote da jararaca. A peste é eu, que não vejo gôta nenhuma, me deparar com coisa alumiada, de repente, agora. É nessa hora que luz faz medo também. Se tudo que é breu fica breu, é bom. Ruim é luz que aparece do nada. De dia é o contrário: o apagar que é terrível.
Agora, coisa que é engraçada é que cavalo meu é preto, e já que tudo é preto: eu estou montado é em nada. Mas se parar pra se pensar mais: eu fiquei preto e estou montado em preto e no meio do preto... que há de ser isso? Eu que não quero mais é pensar....
segunda-feira, 1 de junho de 2009
31/05/2009
que falta sinto de braços que disfrutem de confusões e desassossêgos como os meus. E de toda aquela salsa infinda, caótica, de desejos e ansias. ou, quiçá, do barulho do mar, com os carros às costas, e um corpo a se apoiar.
O navio segue.
O navio segue.
sábado, 23 de maio de 2009
eu e as imbecilidades, minhas
Bem quando penso em dormir, repondero o que ouvi hoje: que merda de café o paulo fez ontem de noite; estudei e explodi a cabeça e ainda fui escrever porcarias...
No outro dia a vergonha.
Ninuém entenderá.
No outro dia a vergonha.
Ninuém entenderá.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Branco
No dia em que as nuvens caem do céu, é dia que os anjos se horrorizam. Nessas terras altas esse tipo de dia é bem comum.
Certeza, é que algo de abominável sempre ocorre. É cão que aparece. É morte horrível que se anuncia. É dia que bicho morre vazio de sangue. E outras horripilâncias.
Hoje não houve morte - ou, pelo menos, não ainda.
Ainda não é sabido o fato que se procedera. Ainda não se espalhara. O que digo, a princípio, é o lugar do ocorrido: um quintal. Em meio a frondosas árvores de frutos bem vermelhos. Pássaros que piam. Bem-te-vis! Dois corpos entrelaçados e o mesmo sangue. Pronto, foi dito. A bruma branca foi quem escondeu. Ninguém viu. Lascividade. Suór. Desejo. Consumação... AH! a carne! Como bom é tocá-la quando se quer. Invadi-la! Avante! Sedento... O pecado se perdeu na serração; não viu, não possui provas e nem testemunha. Ninguém viu! Ninguém há de provar!
Como não querer passar as mãos naquelas curvas nuas? Aquelas curvas proibidas, impossíveis, até então... Bem-te-vi! Bem-te-vi! E mais o barulho de toda a natureza naquele éden: os pássaros, os ramos, os gralhos e alguns zumbidos.
Sentir... Corpo com corpo. O fervor das intensas palpitações. De repente, os olhares se descobrem. Os olhos esbugalham-se num castanho claro, quase amarelo, feito mel. Mas logo se fecham naquele gozo. Naquela satisfação absurda. Naquele deleite infindo.
O aperto do abraço, qual uma fusão, coração com coração.Siameses.
O céu reclama querer voltar aos altos. A advertência foi dada e acatada. Derretem-se e se espalham nus. Um corre. E sobre as ervas, aquela que talvez tenha servido como molde para uma famosa escultura de Milos, permaneceu estirada, espreguiçando-se, olhando o branco afastar-se, descobrindo seu desenho íntimo, contemplando-se, e um passarinho de peito amarelo empoleirado na macieira. Bem-te-vi.
Certeza, é que algo de abominável sempre ocorre. É cão que aparece. É morte horrível que se anuncia. É dia que bicho morre vazio de sangue. E outras horripilâncias.
Hoje não houve morte - ou, pelo menos, não ainda.
Ainda não é sabido o fato que se procedera. Ainda não se espalhara. O que digo, a princípio, é o lugar do ocorrido: um quintal. Em meio a frondosas árvores de frutos bem vermelhos. Pássaros que piam. Bem-te-vis! Dois corpos entrelaçados e o mesmo sangue. Pronto, foi dito. A bruma branca foi quem escondeu. Ninguém viu. Lascividade. Suór. Desejo. Consumação... AH! a carne! Como bom é tocá-la quando se quer. Invadi-la! Avante! Sedento... O pecado se perdeu na serração; não viu, não possui provas e nem testemunha. Ninguém viu! Ninguém há de provar!
Como não querer passar as mãos naquelas curvas nuas? Aquelas curvas proibidas, impossíveis, até então... Bem-te-vi! Bem-te-vi! E mais o barulho de toda a natureza naquele éden: os pássaros, os ramos, os gralhos e alguns zumbidos.
Sentir... Corpo com corpo. O fervor das intensas palpitações. De repente, os olhares se descobrem. Os olhos esbugalham-se num castanho claro, quase amarelo, feito mel. Mas logo se fecham naquele gozo. Naquela satisfação absurda. Naquele deleite infindo.
O aperto do abraço, qual uma fusão, coração com coração.Siameses.
O céu reclama querer voltar aos altos. A advertência foi dada e acatada. Derretem-se e se espalham nus. Um corre. E sobre as ervas, aquela que talvez tenha servido como molde para uma famosa escultura de Milos, permaneceu estirada, espreguiçando-se, olhando o branco afastar-se, descobrindo seu desenho íntimo, contemplando-se, e um passarinho de peito amarelo empoleirado na macieira. Bem-te-vi.
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